Autor: Bàbálorisà Eurico Olúfonjàyé

Jeova e o Universalismo

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Se Jeova e aclamado na Tora (Antigo testamento) como o “Deus dos exércitos” e se ele proprio autoriza o Profeta Moises a “matar povos conquistados” ou ele mesmo mata uns em detrimento de outros (a exemplo, a Historia de Noe e as Pragas do Egito). Jeova nao e um Deus Universal e sim, ele escolhe lados.

Portanto, o que a Biblia chama de “o proximo” eu chamaria de “os pares” ou seja, Os Iguais. Como todos sabem, aqueles que realmente leem a Biblia e a entendem em sua amplitude, para ser um “proximo” voce deve estar convertido a edge do Judaismo/Cristianismo, ademais este zelo e amor de Deus nao se aplica.

Muito menos se aplica, a atitude de seus fies, pois quando vemos a Intolerancia Religiosa operante entre Religioes Abraamicas e as demais, vemos de maneira clara que os adeptos sao fies ao comportamento de seu Deus. Pois ver os Seres Humanos como iguais, nao e o cerne dessas Religioes.

 

Baba Kejaiye

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Religião Tradicional

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Religiões “Tradicionais”

O termo “tradicional” aplica-se a Religioes nascidas em cada regiao,sem mudancas, sem deslocamentos.

A Diaspora fez com que Religioes e Deuses de uma dada Regiao fosse levada em forma de Culto a outros povos.

Mas … Toda Religiao e Politica e cada Pais tem a sua Politica.

A exemplo, em Nigeria sacrifica-se na cidade de Ife Ja (caes) da raca whipet ao Deus Ogun. Na cidade de Oyo o Deus do Raio Sango recebe Ajapa (tartaruga) em sacrificio. Ambos animais no Brasil protegido por Leis Ambientais.

Em Israel e dado o Direiro pelas Leis de Moises a um Judeu apedrejar sua esposa em frente a casa de seu pai, caso este descubra que a mesma nao era virgem.

O mesmo Direiro e conferido a um Cristao no Contrato de Matrimonio Catolico Apostolico Romano que da direito de propriedade ao Homem sob sua Mulher.

Indo mais adiante o direito de um Muculmano pelas Leis do Alcorao de matar sua esposa caso ela cometa traicao.

Mas devemos lembrar que, a Diaspora nao garante direiros aos Religioes, direitos que irao contra aos Leis em que aquela Religiao no Pais em que ela esta instituida. Mesmo que isto ocorra no interior dos Lares, dos Templos, das Igrejas, das Sinagogas e dos Ile-Axe.

No Brasil direiros Biblicos de dominio do Homem sob a Mulher que eram calcados em Leis retiradas da Biblia foram derrubados com a Lei Maria da Penha.

O direito a Escravidao que e Biblico foi abolido com a Abolicao da Escravatura.

O direito a Destruicao de Templos “pagaos” foi abolido com a Lei da Intolerancia Religiosa.

Entao nao, nao existe Religiao Tradicional fora do seu pais de origem .

E mais que conhecer a sua Religiao, e conhecer a Lei local.

Pois “o desconhecimento da lei nao te exime dela”

Baba Kejaiye

Culto ou Religião?

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Culto ou Religião?

A Religião Tradicional do Povo Yorubá, hoje República Federativa da Nigéria atende por este mesmo nome, Religião Yorubá. Yoruba não somente é todo Nigeriano, como também é um idioma, falaod na Nigéria, também é
uma Religião. A Religião advém dos povos ágrafos, os nativos dos Yorubás, chamados Igbós, populações que ainda vivem até hoje nesta região, na cidade de Igbó, que era localizada onde é hoje a cidade de Ilé-Ifé. Os Igbós, migraram sua cidade para perto de Ifé, ficando esta sob domínio de Olofin Adimula, que chegando nesta região tornou-se Rei.

Olofin Adimula, recebe dos Igbós o nome de Oduduwa, era ele filho do primeiro Rei de Meca. A Religião Yorubá é considerada a Religião mais antiga da terra, e a cidade de Ifé o berõ da humanidade. É ela Politeísta, tendo uma rígida conduta de padrões morais, éticos que chamamos de Iwá-pelé e como toda Religião, um ethos religioso, calcado em Genise, Cosmologia, Filosofia, Liturgia e Teologia.

No Brasil, chegou trazidos nos porões dos navios, pelos Yorubas Nigerianos, ou Yorubas que moram no Daomé (Republica Federativa do Benin) chamados de Nagôs.

Infelizmente pelo advento da escravidão,das perseguições religiosas e da ditadura militar, processos históricos ocorridos no país, a Religião foi criando mecanismos
de resitência, um deles o chamado Sincretismo Religioso.

Logo, com o surgimento das correntes esotéricas e espiritualistas que apropriaran-se da figura destes Deuses, deturpando-os e retirando-os dos seus padrões culturais, pessoas ditas “eruditas” começaram a escrever livros, tratando os Deuses Yorubás como a natureza. Estas pessoas influenciadas pela Religião dos Bakongo, primeiros povos a virem escravizados ao Brasil, trazidos de Angola, onde lá Elementos da Natureza são considerados Deuses, começaram a tratar em seus manuscritos os Deuses Yorubás como a própria natureza, o que é um erro.

Os Deuses Yorubas, tem domínios sob forças da natureza, mas não são elas a natureza. A natureza, os Deuses genitores, os Deuses Divinizados e os Ancestrais são categorias distintas na Religião Yorubá, o que nos faz entender que, os Deuses Yorubás possuem inteligência própia.

Neste sentido de Deuses “naturais” surge no Brasil um engodo a cerca de “mediunidade com orixas” ou que existiria uma Divindade na natureza que plantaria no iniciado uma “fagulha” que não seria ele em sua plenitude e com isto o surgimento do chamado “orixa individual”. Esta categoria não existe dento da Religião Yorubá, que presta-se ao Transe, que toda via, não é Mediúnico.

Mais tarde, isto será um prato cheio a se apropriar deste conceito a Umbanda Inatitucional Brasileira, que é um Culto Ancestral Bakongo, deturpado no Brasil por um Kardecista que apropria-se do nome m-banda na linha ki-bundo “arte de curar” e pretende torna-la uma Religião Afro-kardecista, evolucionista, branqueada e cristã.

Com isso, os Deuses de Angola, passam não mais a existir, e são subistituidos pelos Deuses Yorubás, que agora são chamados como sendo a pópria natureza.

Mais tarde, o Toré a Religião Indigena dos Indios Kalankó de pernambuco irá ser mais um elemento a agregar-se na Umbanda Institucional Brasileira, e sendo os
“encantados” encantados em elementos da natureza, um escritor de nome Rubens Saraceni vai propor que são os Amerindios que baixam na Umbanda
“enviados dos orixas”.

Podemos ver claramente, que o ethos da Religião não muda, o que muda a Religião são Deturpações e Processos Históricos de Resistencia que fazem mais tarde
uma naturalização de fatores que pouco depois é de intere-se das pessoas, o seu resgate.

Por fim, recordar que, o Yorubá é uma Religião, com todas as ferramentas e “sacramentos” que as demais possuem, o que a torna muitas vezes no Brasil
um Culto é a ignorancia de certas pessoas, em te-la como apenas uma ponte magica, mística, primitiva e natural de louvor, retirando-a de seu contexto cultural e buscando em outros seguimentos ocidentais as demais respostas.

Baba Kejaiye

 

A história de Um Deus

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O início desta história conta com três importantes persangens, a Deusa Asherah, o Deus HaShem e o Deus Baal. Asherah, esposa de HaShem, convivia pacificamente com seu consorte, donde a mesma era adorada por seu povo, por ter a fama de protetora das crianças, também adorada entre as mulheres, por trazer fertilidade a estas. Já HaShem, não era assim tão popular. Possuía gênio difícil, ciumento, mesmo no recebimento de suas oferendas, nunca estava satisfeito.
Um belo dia, eis que veio a notícia. Asherah havia traído HaShem com Baal. Baal por sua vez, forte e viril, atraía a atenção de outras Deusas, embora sanguinário pois aceitava como oferta sangue de crianças. HaShem não perdoou aquela traição, abandonando Asherah e buscando entre os seres humanos, outra forma de adoração, longe de sua musa.
Desolado e em sua cólera de ódio, tentara matar qualquer ser humano na terra que eleva-se louvores a qualquer outro Deus se não ele.
Foi, quando, sobrevoando UR, encontra um homem, de nome Avraham e ali planta sua mensagem. Promete a ele, uma terra de riquezas, em troca disto, sua devoção.
Mas fora somente através de um outro personagem chamado Enos (3769 – 2864 a.C.) que escutara-se a primeira vez o nome Yahveh.
Hashem, agora chamado, Yahveh, faz outro pacto, agora com Mōüsēs, em sua fúria, egocentrismo e dor, pela traição de Asherah, que não haveria nenhum outro Deus na terra se não ele. Do mesmo modo seria ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, não havendo outro, se não ele, o Senhor do Universo.
. Mōüsēs, filho do Faraó Ramsés, já havia escutado murmurias no alto Egito, de um antecessor de seu pai, o Faraó Akenaton, que em período de reinado, teria imposto a proposta de adoração a um Único Deus e esta História sempre lhe chamara a atenção. Com isto, resolveu abandonar seu povo no Egito, e reafirmar o pacto com Yahveh, dando as costas ao Deus Rá, e pedindo então a este novo Deus, Yahveh, poderes para que com eles pude-se convencer os seguidores de que ele, Mōüsēs possuía estreito contato com um Deus mais Poderoso do que o Deus do Egito e qualquer um outro Deus na Terra.
Foi aí, que Yahveh, apareceu a Mōüsēs, saindo debaixo da terra em chamas, e de uma pequena serpente transformara-se em um cajado, que guiou Mōüsēs e seus novos seguidores a uma nova Terra Prometida.
Mas enganara-se Mōüsēs, achando que ele seria o emissário deste novo e poderoso Deus. Pois os Judeus, já haviam profetizado em suas escrituras, que um homem, descendente de linhagem real, que não possuí-se batismo e que datada astro-logicamente viria ser na terra, a encarnação deste “novo deus” que agora ressurgia com mais força, e cada vez mais, com sede de vingança, a quem, Desobedecesse suas ordens.
Para felicidade dos seguidores de Yahveh, tudo ocorria bem, na presente daquele homem, que se dizia a encarnação de Yahveh e com isto, portador de sua palavra e vontades. O que não estava em concordância para os Judeus, pois a profecia da vinda de Yahveh já havia prescrito 4 anos, o homem em questão já havia sido batizado (por João Batista) e sendo sua mãe, uma virgem, não teria herdado de seu pai (que era descendente do Rei Davi) o “sangue real”. Com isto, a notícia “morte ao impostor”
Mas Yahveh continua agindo, na escuridão dos corações desolados, dos ignorantes, dos mal-feitores, dos assassinos. Yahveh não desistira de assumir o controle do mundo, e provar a humanidade que ele é o Único Deus na Terra.
Autor: Baba Kejaiye (Eurico Pontes Nunes)

Porque a Nação Kabinda é Bantu?

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1- Os povos Bantu foram os primeiros a serem escravizados no Brasil
2 – No Rio Grande do Sul “os banto vieram em número muito superior aos sudaneses” (Correa, 1998a:66).
3 – As pessoas da Nação Kabinda não reconhecem serem os Imoles (que chamam de Orixás), Imoles (Reis Divinizados) as figuras de Reis e sim Divindades que São elas, a Natureza, típica visão cosmológica que os Bantu tem para com os Inkisse (Deuses desta cultura)
4 – O termo Batuque deriva de um nome Bantu, Batukajé “local onde se toca tambor” como que o Nome da Instituição Religiosa e Bantu e nega-se a presença ou influencia Bantu nesta Cultura? E/ou que estes estiveram ausentes na conformação do Batuque?
5 – Quem são os descendentes da Nação Moçambique? Tão citadas em Artigos de Época? Não seriam os Kabindas, que adotaram o Panteão Ijexa? Após um dos configuradores deste seguimentos (como se encontra hoje) fora iniciado na Nação Ijexa em POA? (Waldemar dos Santos)
6 – O interdito com tudo relacionado a morta na Nação Yoruba, dá-se no âmbito, de que os Imoles (que recebe-se no transe) ascenderam a morte, sendo Divinizados por seu povo e elevados a categorias de Deuses, o que não acontece com os Inkisse (Que são Deuses Naturais) da Cultura Bantu, hora este interdito, se quer existe na Nação Kabinda, justamente porque é da Cosmologia desta Cultura o trato com Deuses Naturais e não Divinizados
7 – O ritmo acelerado do tambor é tipicamente Bantu, que, de maneira pouco cadenciada, é encontrada nas Nações Nagô, Oyo, Jeje e mesmo Ijexa possui diferenciações sonoras
8 – Kamuka, traduz-se “daqui para lá”, a passagem do Rei Morto (Igbaru) para a condição de divinizado (Ogodo) é para tanto um ORUKO! O nome civil-religioso de um adepto e não um “caminho de xango”, hora, se trata-se de um Oruko, dado a uma pessoa iniciada a Xango Igbaru, estamos falando de um Ancestral, um Egun, não seria diferente, o mesmo estar na casa dos mortos, e não, dentro do Peji
9 – A questão do termo Djina, Djina é um termo Bantu, que designa “o nome do Inkisse”, pois diferente dos Yorubás, que possuem nome civil-religioso e as Divindades não recebem “nome” pois são elas inteligentes (tiveram vida na terra) os Inkisse recebem nomes, pois são eles a natureza, é comum nesta cultura a questão da individualização das forças naturais plantadas em cada pessoa na iniciação, como que esta categoria de “dar nome da divindade” e mais, chama-la de Djina, que justamente é a terminologia utilizada pelos Povos Bantu, estar presente nesta Nação e negar que ela pertence a outro tronco Etnico?
10 – Por fim, citar, que casas mais tradicionais, não utilizam nem o termo Ejé (Nagô) e nem Axorô (categoria êmica, encontrada no Batuque em alguns seguimentos) para designar a palavra “sangue”, casas de Nação Kabinda, utilizam-se da expressão Menga, que em Bantu traduz-se como “sangue”
Ficou claro?
Baba Kejaiye

A gira

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Recordo que uma vez me perguntaram, se nós temos uma Liturgia capaz de revelar quem entra ou não em transe, porque os Abiãns (neófitos) não são levados a participarem deste Ritual, o Bolonãn para então tão logo serem iniciados.

Respondo, porque Iniciação é um chamado. Mesmo as pessoas que entram em transe, nem elas mesmas poderao ao longo dos tempos frequentando o Ilé-Asè receber este convite. Nem todos possuem o caminho da Iniciação a Orixa.

O mesmo ocorre no Culto de Incorporação de Espíritos, nem todos possuem o caminho da Incorporação e isso também é um chamado, um chamado Ancestral.

A Alma não está em desenvolvimento, e o “Médium” desenvolve seu contato no dia-a-dia, no aprendizado, na liturgia.

Nao consigo embora, de liturgias distintas separar o Bolonãn dos Yorubas (que é para os deuses) da Gira dos Umbandistas (que é para os espíritos)

Mas se o ser Religioso consiste no louvor e não na incorporação e se a incorporação também é um chamado porque levar as pessoas para gira?

As pessoas estao antecipando etapas, estão forçando relações humanas e espirituais. Sou contra a tudo isto. Na Encantaria de Bárbara Soeira todos vão ao cerimonial dançar, so que já recebem seus Encantados, os mesmos distribuem sua força e os demais, ao longo das danças podem em determinada ocasião manifesta-los pela primeira vez, o que denota então, ali, um olhar mais atento, aquele convite.

Do mais, a gira para mim é antecipar relações, a gira não é desenvolvimento, até porque esta ultima palavra se quer faz parte da filosofia africana, se não, da ocidental.

Motumba! Baba Kejaiye

Velório de Branco

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Porque se veste Branco no Funeral da Religião Yoruba-NAGÔ?

Pois para nós, não existe morte, não existe luto, não existe perda. Ninguém perde nada, só ganha. Branco a cor da vida, também é a cor da roupa de Oya Igbalé, aquela que apenas fará a transição de ara-aiye (ser encarnado) para ara-orun (ancestral) que …

CONTINUA VIVO!

Baba Kejaiye – a alegria de ser yorubá