A gira

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Recordo que uma vez me perguntaram, se nós temos uma Liturgia capaz de revelar quem entra ou não em transe, porque os Abiãns (neófitos) não são levados a participarem deste Ritual, o Bolonãn para então tão logo serem iniciados.

Respondo, porque Iniciação é um chamado. Mesmo as pessoas que entram em transe, nem elas mesmas poderao ao longo dos tempos frequentando o Ilé-Asè receber este convite. Nem todos possuem o caminho da Iniciação a Orixa.

O mesmo ocorre no Culto de Incorporação de Espíritos, nem todos possuem o caminho da Incorporação e isso também é um chamado, um chamado Ancestral.

A Alma não está em desenvolvimento, e o “Médium” desenvolve seu contato no dia-a-dia, no aprendizado, na liturgia.

Nao consigo embora, de liturgias distintas separar o Bolonãn dos Yorubas (que é para os deuses) da Gira dos Umbandistas (que é para os espíritos)

Mas se o ser Religioso consiste no louvor e não na incorporação e se a incorporação também é um chamado porque levar as pessoas para gira?

As pessoas estao antecipando etapas, estão forçando relações humanas e espirituais. Sou contra a tudo isto. Na Encantaria de Bárbara Soeira todos vão ao cerimonial dançar, so que já recebem seus Encantados, os mesmos distribuem sua força e os demais, ao longo das danças podem em determinada ocasião manifesta-los pela primeira vez, o que denota então, ali, um olhar mais atento, aquele convite.

Do mais, a gira para mim é antecipar relações, a gira não é desenvolvimento, até porque esta ultima palavra se quer faz parte da filosofia africana, se não, da ocidental.

Motumba! Baba Kejaiye

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