Encantaria na Casa de Nago

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Eu em verdade sempre tive o desejo de implantar dentro da Casa de Nago o Culto de Encantaria de Bárbara Soeira (que não é Religião) no sentido de deixar para posterioridade uma herança.

Que herança seria essa?

A Herança do conhecimento.

Pai Francelino é até hoje é considerado nos dias de hoje o único que teria conseguido trazer a herança da Encantaria para São Paulo, embora tenhamos dito esse exercício quando o I.A.N.O propôs que a Casa de Oyá, se eximisse do Culto a Umbanda e aderi-se ao Sistema dos Encantados.

Meu avô recebia José Maria Remanço, meu bisavó recebia Pai Bongo, Dona Jurema e alguns outros encantados encontram-se sentados em nossa casa.

Infelizmente isso não aconteceu de forma totalitária, eu poderia citar, que, a Casa de Oyá possui “umbanda com encantaria” que é um fenômeno, já tratado atualmente pelos Antropólogos da atualidade.

O sentido deste meu desejo, é propor uma reforça. Não uma reforça dentro da Umbanda, mas uma reforça epistemológica das pessoas em relação aos espíritos.

Despir-se desse falso conceito evolucionista que se quer existe dentro da Cultura Yorubá. Das noções de karma, de evolução, de trabalho, nada disto nos representa, esta nunca foi, não é e nem nunca será nossa Cosmologia.

São poucas pessoas que estão interessadas na Tradição.

Mas como propor a tradição cultural as pessoas antes de rever a sua?

Como cultuar Iracema e dar aula sobre Ndanderu e Yara?

Como falar em Dona Mariana e falar de cristianismo?

Como falar do Rei da Turquia e falar de Islamismo?

Como falar de Vó chica e falar de Nzambi e de Angola?

Se faltou falar do Nagô?

Se as pessoas anda perguntam sobre Olodumaré? Sobre Odú? Sobre egun? Não entendem Ipori? Fazem o sinal da cruz em frente a Igreja e enterram seus mortos vestindo o preto?

Não, não podemos desvestir um santo para vestir outro.

Porque abrirei espaço para a feitiçaria, abrirei espaço para o esquecimento dos deuses.

Porque pedir a Ossanha a cura para as doenças se tenho o preto-velho?

Porque pedir proteção de Ogun se tenho o caboclo?

Então o que deve ser entendido é que nossa casa é o templo deus deuses e é a eles que servimos. E antes de lembrar “os mortos dos outros” devemos começar o exercício pelos nossos

A quanto tempo você não louva ancestral? a quanto tempo você não vai ao túmulo de sua avó?

E nossa casa também possui culto a ancestralidade.

Continuaremos nossas palestras sobre a “origem da umbanda” “o ressignificado dos orixás no brasil”, “o mundo dos encantados”, “a cosmovisão yorubá sobre a morte”, mas não, não estamos preparados para assumir outras culturas, mas não abrirei mão de munir todos aqueles que aqui congregarem conosco de ferramentas para desconstruções de invenções, deturpações como é o que infelizmente se encontra instalado em solo brasileira, não por culpa dos africanos, mas por culpa da escravidão.

Motumbá! Baba Kejaiye

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