Orixá fala?

Postado em


Em um mundo que se diz moderno, evoluído e esclarecido ainda vemos pessoas, que, agarrando-se a tradições afro-brasileiras deturpam conceitos caros para a Tradição de Orixá. A exemplo, atribuições das quais orixás não falariam com as pessoas, ou até mesmo sobre as questões de existir orixás pessoais. Ressalvo que aqui, na Casa de Nago, orixás falam com a assistência, são eles, que por acaso, regimentam normas institucionais da casa e definem a liturgia aplicada. Mais do que isso, orixá aqui é um só, recebido apenas por um único indivíduo, que faz-se presente não por uma questão mediúnica (do qual não é a tradição) mas para festejar, confraternizar, orientar, mesmo porque o sistema aqui não é Igba e sim Ojubó. Orixá não tem idade e quem nasce no momento da iniciação não é orixá e sim o neófito em sua liturgia. Fico muito triste com citações infundadas e ignorantes que encontrei na internet a cerca de Oni-Sango em IyaEpega, e sinto muito se o Candomblé Ketu ainda possua amarras institucionais que não possibilitem que seus Iyawo reflitam sobre essas questões, e muitos que se quer cargos possuem saem falando asneiras em nome da tradição de orixa sem se quer serem autorizados a falarem sobre a tradição. Fora ainda termos que conviver com os Umbandistas que dizem receber orixas ou até mesmo invoca-los (sendo que o culto é de adoração e não invocação e umbanda se quer é uma religião), ainda temos que ouvir de nossos pares (se seriam eles pares?) tais ignorancias. Um dia talvez encontraremos uma homogeneidade, não litúrgica mas em relação a verdadeira essência de orixá, que vale ressaltar do termo correto, os nosso queridos, Imolés.

Baba Kejaiye

Anúncios