Carnaval x Orixás

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Já fiquei sabendo da Festa de Carnaval no laranjal com saída as 17h. Achei fantástico. Ainda disse a minha Ebomí “mais gente para nossa festa”. Não temos uma linha que divide sagrado/profano, aliás não vejo com bons olhos quando pesquisadores citam a palavra “profano” dentro da Cultura Yorubá. Todos tem sue espaço e essas esferas se cruzam o tempo inteiro, até mesmo porque quando citamos o nome do rito de evocação aos orixás em público dizemos: Vamos fazer sirè, sendo sirè “brincadeira” e recordando que, essas aparições dos Deuses Yorubás na Nigéria são chamadas pelos Yorubás de FESTIVAL!

Baba Kejaiye

Texto adicional:

Integrantes pedem permissão de orixás para não incorporar na Avenida

Jornal O Dia – 21/02/2009

RIO – Que religião e Carnaval sempre andam juntos — nem sempre de mãos dadas —, todo mundo sabe. Todos os anos, santos, anjos e orixás marcam presença na Passarela. Agora não será diferente: quatro das 12 escolas do Grupo Especial vão apresentar enredos que abordam temas ligados ao candomblé e à umbanda: Império Serrano, Beija-Flor, Salgueiro e Viradouro. Com tanta entidade invocada pelos foliões, é preciso cuidado para não incorporar em plena Sapucaí. Pedir licença aos orixás é a palavra de ordem.

Em 1976, com o enredo ‘Lenda das sereias, rainha do mar’, reeditado este ano pelo Império, várias baianas, filhas de Iemanjá, receberam santo e dançaram no ritmo lento da entidade. “Muitas delas incorporaram. Até hoje, quando a música começa, a gente sente a força que vem do alto, sente a realeza subindo. Em 1976, isso só trouxe riqueza para nosso desfile”, lembra Vicente Mattos, 69 anos, único compositor vivo do samba-enredo.

Última escola a desfilar amanhã, a Viradouro, que vai falar da Bahia, já sentiu a força dos orixás. Em seu único desfile técnico na Marquês de Sapucaí, dia 25 de janeiro, um homem que assistia ao ensaio da arquibancada recebeu um santo. Carnavalesco da escola de Niterói, Milton Cunha garante que não foi o único: “Soube de umas 15 pessoas que estavam com o canal aberto e receberam. Houve um arrepio coletivo”.

Milton conta que a concepção do desfile da Viradouro é mística, intuitiva, com canal direto para a África. “Eu tinha desenhado o sexto carro (Nanã) com uma única cabeça virada para trás, com quatro braços. Tive uma visão em que apareciam duas cabeças, uma nova e uma velha. Depois, fui a um terreiro e vi uma escultura igual ao meu sonho. Meu sonho foi confirmado e o carro, modificado”, explicou o carnavalesco.

Na Beija-Flor, que conta a história do banho, todo o último setor falará do banho de axé e terá 18 alas em homenagem a orixás. Segundo o diretor de Carnaval e Harmonia da escola, Laíla, todos os integrantes das alas foram avisados de que é obrigatório pedir licença: “Senão, não participa. Doutrinamos para que as pessoas não peguem santo na Avenida. Pedimos a elas que vão aos terreiros obter permissão para desfilar”. Para o líder da comissão de Carnaval da bicampeã, não pode haver risco de pegar santo e atrapalhar o desfile.

Na escola há 19 anos, o bailarino Cássio Ramos, 32, será o último componente da Beija-Flor a pisar na Passarela. Umbandista, Cássio teve que pedir à sua mãe-de-santo, tia Nadir Amanço, 92 anos, autorização para se caracterizar como Oxaguiã, o Oxalá novo: “Primeiro ela perguntou ao santo se eu poderia desfilar. Depois, jogou para saber o que eu deveria fazer. Faço isso porque posso entrar na Avenida sem medo para o desfile”, contou Cássio, sem revelar o trabalho que teve de fazer: “É uma coisa muito particular”. Em 2007, o bailarino também teve que se proteger, pois desfilou na comissão de frente representando Exu. “Muitas pessoas dizem que eu venho incorporado, mas, na verdade, a entidade vem ao meu lado. Eu sou um instrumento”.

TAMBOR CHAMA OS SANTOS NA AVENIDA

Sempre inovando, o mestre de bateria da Unidos do Viradouro, Ciça, vai levar para a Avenida, pela primeira vez, 20 ogãs tocando atabaques junto com os ritmistas. Eles são os responsáveis pelos toques rituais nos terreiros de umbanda e candomblé. O instrumento é a ponte sonora para chamar os orixás, o que pode fazer com que algumas pessoas incorporem. “Os atabaques podem chamar os santos e fazer com que as pessoas entrem em transe”, explica o carnavalesco Milton Cunha.

Tema do Salgueiro, o tambor vai marcar presença em toda a escola. Os integrantes da bateria comandada por Mestre Marcão estarão vestidos de ogãs. Antes de todo desfile, Marcão também pede licença para que tudo corra bem. “Aos meus santos e a todos os santos. Os dois recuos da bateria têm muita energia. São duas encruzilhadas abertas”, explica o mestre, que tem tatuada nas costas uma imagem do malandro Zé Pilintra.

* Fonte:

odia.terra.com.br

 

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